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A IMPORTÂNCIA DAS LUVAS

A Importância das Luvas

 

Olhei em direção a um aglomerado de gente, conversando, reclamando. As pessoas, normalmente, se esquecem do principal: a ajuda. Fiquei tentando descobrir o que estava acontecendo. Logo adiante, uma senhora, já bem idosa, chorava, encostada a uma parede.

 

Meus olhos pularam em direção à pobre senhora. No punho, aparecia um par de luvas brancas, sinal de socorro de nossas cunhadas.

 

Cheguei e quis saber o que estava se passando.

 

– A cunhada está precisando de alguma coisa?

– Sim. Eu fui assaltada e os dois elementos ainda me deram socos nas costas e na cabeça, para que eu entregasse a minha bolsa, o relógio e minha aliança.

– Ninguém socorreu?

– Ficaram com medo dos bandidos.

– Não tem problema. Venha comigo. Vou levá-la a um hospital.

– Não se incomode, cunhado. Eu só preciso ir para casa.

– Nada disso. Vamos juntos. Meu carro está logo ali.

No caminho fui distraindo a cunhada.

– O seu marido, o meu Irmão, é filho de qual Loja?

– Aqui no Centro mesmo.

– É falecido?

– Sim. Há dez anos.

– Viu como valeu o par de luvas?

– Isso mesmo. Olha que o meu par já é bem antigo.

– Quando o Irmão entrou para a Ordem vocês já estavam casados?

– Não. Éramos noivos.

– Que beleza!

– Quando ele me entregou o par de luvas, quase tive um desmaio tamanha  foi a emoção.

– É uma solenidade linda.

– Isso foi quase há cinquenta anos e, quando me lembro, fico emocionada.

– Talvez seja o momento mais sublime para a mulher, no dia da Iniciação..

– As minhas luvas estão velhinhas. Não saio sem elas. Estão até um pouco amareladas.

– Tem usado muito?

– Foi a primeira vez que tive necessidade de usá-las. Eu sabia que um cunhado iria aparecer para me socorrer.

– Não resta a menor dúvida.

– Parece que foi ontem que recebi essas luvas. Quando o Venerável falou para o meu marido, ao entregar-lhe as luvas, que as passasse

para a pessoa a quem ele nutria grande amor.

– E a cunhada, o que disse?

– Eu?

– É.

– Fiquei muda. O chão sumiu. Que saudade!

– Imagino. Também passei pela mesma emoção ao entregar as luvas.

– E a sua esposa? Como reagiu?

– Chorou. Chorou muito.

A conversa estava tirando a cunhada do grande nervosismo que se apoderara dela.

E chegamos ao hospital.

Entramos, pois eu precisava saber se a cunhada estava com algum problema maior, em vista das pancadas recebidas.

E Deus existe!

Logo na entrada, um Irmão médico vem em minha direção.

– O que houve?

– É nossa cunhada. Ela foi assaltada e os meliantes ainda bateram nela.

– Vem comigo, cunhada. Vamos verificar o que aconteceu.

E o Irmão entrou com a cunhada, a fim de fazer um exame e, deste modo, tranquilizá-la.

Feitos todos os exames, o Irmão apareceu e pediu-me que ligasse para um dos filhos da cunhada, nosso sobrinho, para que tomasse conhecimento do ocorrido.

– E como ela está.

– Bateram muito nela. Tem hematomas em pontos das costas e dos braços. A cabeça era minha grande preocupação, mas, após o Raio X, fiquei mais tranquilo.

– Graças ao Supremo Arquiteto, pela idade, a fragilidade feminina, tudo contribuiu para a preocupação.

– Acontece que estamos cobertos pelo Criador.

– É isso.

– Telefona para a família. Daqui a pouco volto a falar com você.

E mais surpresas nos reservava a situação. Liguei para o nosso sobrinho.. Ele estava procurando pela mãe.

– Estou ligando para dizer que sua mãe está medicada. Ela está sendo atendida por um Irmão, maçom como seu pai.

– Graças a Deus. Onde ela está?

– Não se preocupe, pois vamos levá-la para casa. Mas como você soube disso?

– Estava acontecendo uma blitz, quando os assaltantes passaram  correndo. Foram abordados e entregaram os pertences de minha mãe.

– Que sorte!

– O Capitão, maçom, verificou a bolsa de mamãe, viu a Carteira de Identificação Maçônica do meu pai e ligou para mim.

– Que bom!

– Ele trouxe os pertences da minha mãe, inclusive as alianças.

– Ótimo. Pode me esperar em casa que eu levo a cunhada.

Quando ela apareceu mais calma, desliguei o telefone.

Meu Irmão, no Oriente Eterno, está feliz.

 

Fonte:  Internet enviado pelo Irmão Simões

 
Pesquisa Irmão José Humberto
 
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MAÇONARIA: POR QUE OS APRENDIZES SE SENTAM NO NORTE ?

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Pesquisa Ir.'. José Humberto de Oliveira. 

15 de Fevereiro 2018.

Porque os aprendizes se sentam no norte?

Qual é o motivo para os Aprendizes se sentarem no Norte?
Essa é uma pergunta muito comum em Loja que costuma receber as mais variadas respostas, algumas totalmente sem nexo…
Kennyo Ismail fonte: Blog no Esquadro Derrubando mitos na Maçonaria
Com exceção do Rito Brasileiro, que inverteu as posições do REAA, os Aprendizes se sentam na Coluna do Norte em todos os demais Ritos. Nos ritos de origem francesa (Escocês, Moderno e Adonhiramita), eles se sentam na última fila do Norte, enquanto que nos ritos de origem que podemos chamar de “anglo-saxônica” (Shroeder, York e rituais do Reino Unido como o de Emulação), eles se sentam na primeira fila do Norte.
POR QUE OS APRENDIZES SE SENTAM NO NORTE?
Qual é o motivo para os Aprendizes se sentarem no Norte? Essa é uma pergunta muito comum em Loja e que costuma receber as mais variadas respostas, algumas totalmente sem nexo:
“Porque a pedra bruta está no lado ocidental do norte, e o Aprendiz é uma pedra bruta”.
“Porque o Aprendiz precisa ficar na Coluna da Força para ganhar força para o trabalho”.
“Porque o Aprendiz tem que ficar perto do Primeiro Vigilante, que o instrui”.
“Porque o Aprendiz tem que ficar de frente para o Segundo Vigilante, que é quem deve instruí-lo”.
Essas afirmações chamam a atenção para um outro ponto:
De onde tiraram que os Vigilantes são os responsáveis por instruir os Aprendizes e Companheiros? Existe alguma fala na Abertura e Encerramento dos trabalhos em que os Vigilantes assumem essa responsabilidade? As instruções obrigatórias desses graus, que constam nos Rituais, são feitas pelos Vigilantes?
Respostas: Não. Apenas em algumas das cerimônias inventadas de posse e nos Estatutos modernos das Obediências é que os Vigilantes “ganharam” essa responsabilidade. As instruções para Aprendizes e Companheiros não são presididas pelos Vigilantes. Elas são presididas pelo Venerável Mestre e apenas contam com a participação dos Vigilantes, assim como contam com outros Oficiais da Loja.
Você pode estar se perguntando agora: Então, por que diabos os Vigilantes são considerados responsáveis pela instrução de Aprendizes e Companheiros?
Simplesmente criou-se esse “hábito” por conta da equivocada interpretação de que os Vigilantes “governam” as colunas onde os Aprendizes e Companheiros estão sentados, então deveriam ser responsáveis por eles.
Os Vigilantes não são ritualisticamente os responsáveis pela formação dos Aprendizes e Companheiros, independente de ser o 1º Vigilante para os Aprendizes e o 2º Vigilante para os Companheiros, ou vice-versa. Na verdade, os Oficiais da Loja são responsáveis por instruir Aprendizes e Companheiros conforme as instruções do Ritual, e sob comando do Venerável Mestre. É dever ritualístico do Venerável Mestre, que é o Mestre da Loja, definir se eles estão preparados para subir mais um degrau. Isso não deveria ser responsabilidade dos Vigilantes, apesar de se terem criado esse costume e legislado em favor disso. As dúvidas que um Aprendiz ou Companheiro por ventura possam ter deveriam ser sanadas pelo seu padrinho, o Mestre Maçom responsável pelo seu ingresso na Loja. É para isso que servem padrinhos, para garantir a formação de seus afilhados!
Enfim, com base nessas observações, verifica-se que as respostas dadas sobre o Aprendiz no Norte que são relacionadas à instrução dos Vigilantes não correspondem com a verdade.
Quanto à reposta de que o Aprendiz fica na Coluna da Força para ganhar força para o trabalho, isso é uma ofensa para a inteligência de cada maçom. Substituiremos o maço e o cinzel por alteres, se assim for! O efeito será melhor para tal simbologia!
Já a afirmação de estar relacionado com a posição da pedra bruta em Loja também é ilógica. Afinal de contas, em alguns ritos a pedra bruta não fica na Coluna do Norte, enquanto que Aprendizes permanecem lá! Então, qual é o motivo?
É simples. A Loja possui 03 Luzes que a governam: Venerável Mestre, Primeiro Vigilante e Segundo Vigilante. Essas 03 Luzes ficam localizadas em 03 lados do templo: Oriente (VM), Ocidente (1º Vig) e Sul (2º Vig). Ora, o templo possui 04 lados, então um não possui Luz: o Norte! Por esse motivo, a Coluna do Norte é considerada o “lado escuro do templo”.
O Aprendiz até pouco tempo atrás era um candidato na escuridão, desejoso de receber a Luz. Seu lugar é no lado mais escuro do templo onde, simbolicamente, sua visão poderá se acostumar com a Luz que lhe é dada aos poucos. O Aprendiz está no hemisfério norte, enquanto o Sol está fazendo seu giro do Oriente para o Ocidente inclinado ao Sul, o que indica que o Aprendiz está no inverno do hemisfério norte, quando as noites são maiores que os dias, ou seja, a escuridão ainda prevalece sobre a luz do dia.
Isso está muito bem registrado nas instruções dos rituais mais antigos, mas se perdeu na evolução de muitos ritos e na constante “revisão” que quase todos sofrem constantemente.

Fonte: JB News.

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AS COLUNAS B e J

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As Colunas B e J 

Pesquisa Ir.'. José Humberto de Oliveira. 

12 de Fevereiro 2018.

A Maçonaria especulativa, da mesma forma que a antiga Maçonaria operativa, inicia muitos obreiros. E assim como entre aqueles antigos mestres da Arte Real, também os modernos obreiros dessa Augusta Arte não são todos eleitos, embora todos sejam iniciados. O obreiro da Arte Real hoje, inicia-se como aprendiz e continua a ser eternamente um aprendiz. É no decorrer do desenvolvimento da cadeia iniciática que o iniciado poderá obter ou não a sua iluminação. Essa iluminação pode ser definida como uma Gnose, ou uma sensibilidade da verdadeira razão de ser ele um maçom. Então terá conquistado o status conferido aqueles que se abrigaram junto ás duas colunas sagradas do Templo de Salomão, e se abeberaram na fonte dos conhecimentos que delas brotam e que se expressam nos nomes sagrados que Salomão deu á aquelas colunas: B e J.

B e J eram os nomes das duas colunas de bronze que Salomão mandou fundir para servir de pórtico para o templo. B deriva de B.:, nome do patriarca hebreu que fundou a dinastia do rei Davi. Casado com a moabita Rute, B.: foi pai de Obed, que por sua vez gerou a Isaí, ou Jessé , que foi pai do rei Davi. Na tradição hebraica, portanto, B.: foi aquele que fundou a família que iria, mais tarde, estabelecer o reino de Israel. Quanto a J, trata-se, provavelmente de um nome derivado do antigo alfabeto semítico, significando cofre, esconderijo, receptáculo. Sabe-se que os antigos povos do vale do Jordão e do Eufrates costumavam construir em seus templos e edifícios públicos certas colunas ocas para guardar documentos importantes. A essas colunas eles chamavam J. Essa tradição está de acordo com as informações encontradas nas crônicas do profeta Jeremias, que dizem que as colunas do templo de Jerusalém eram ocas. Com base nessa tradição, certos autores maçônicos inventaram a lenda de que Salomão teria construído colunas ocas para servir de arquivos para guardar documentos maçônicos.

O certo, entretanto, é que essas duas palavras, constantemente invocadas nos trabalhos das lojas simbólicas, significam “ Estabilidade com Força”. As colunas J e B tinham dezoito côvados de altura (cerca de 9 metros), e eram encimadas por capitéis de cinco côvados cada (2,5 metros), com romãs e medalhas por ornamento. A romã, como se sabe, entre os povos orientais era uma fruta que tinha um alto valor simbólico. Representava o amor, a fertilidade, o sexo. Os poemas do Cântico dos Cânticos, atribuídos a Salomão, muito se vale do simbolismo da romã para representar a sensualidade da união entre os sexos.

O templo maçônico procura reproduzir, no que é possível, o Templo de Salomão. O costume de se colocar os Aprendizes do lado da coluna B e os Companheiros na coluna J consta de uma tradição que diz que Adoniram, para pagar os trabalhadores do canteiro de obras, que eram milhares, costumava separá-los por colunas. Os mestres (pedreiros, talhadores, escultores, carpinteiros) eram pagos dentro do templo, daí o termo “ coluna do centro”, onde os mestres maçons se colocam para assistir aos trabalhos em Loja. Os demais trabalhadores, por serem muitos, tinham que ficar do lado de fora. Para facilitar o pagamento, que consistia na distribuição de alimentos, roupas, utensílios de trabalho (luvas, aventais, ferramentas etc), eles eram separados em grupos. Conforme os graus de profissionalização eram perfilados do lado direito ou esquerdo do templo, o que correspondia ás colunas J ou B, conforme o caso.

Daí o porque dos aprendizes, que no caso do canteiro de obras do rei Salomão eram os cavouqueiros, os carregadores, os serventes de pedreiro, ficarem no lado correspondente á coluna B e os companheiros (ajudantes, talhadores, assentadores de pedras etc), sentarem-se no lado da coluna J.

Flávio Josefo, em suas crônicas sobre as Antiguidades dos Judeus, capitulo III, item 6, também se refere a essas duas colunas e seu significado. Diz aquele historiador que Deus estabelecera o reino de Israel com estabilidade e força, e que tal composição duraria enquanto os israelitas mantivessem o Pacto da Aliança com Ele. A força provinha do seu fundador Davi, que estabelecera com sua competência militar o reino hebreu, e a estabilidade lhe tinha sido dada por Salomão. Dessa forma, as colunas B e J não tinham apenas um significado religioso, mas também celebrava motivos políticos e heróicos, homenageando, de um lado Davi, a força, de outro lado Salomão, a estabilidade, a sabedoria.

Muita tinta já rolou acêrca das colunas B e J. Alguns autores desenvolveram inclusive a tese de que as colunas ocas do templo de Salomão representavam símbolos fálicos, tradição essa muito em voga entre as civilizações antigas. Elas seriam, segundo Curtis e Madsem, uma projeção da Mazeboth, momumentos de pedra, que entre os fenícios simbolizavam o órgão viril, pelo qual a fertilização da terra se processava. Com base nessa interpretação “histórica”, esses autores concluem que as “duas colunas ocas, com seus globos em cima, e os capitéis enfeitados com romãs, (fruta que simbolizava a fertilidade), nada mais eram que símbolos fálicos disfarçados. Daí a razão de serem ocas, pois representavam o órgão sexual masculino, também oco e encimado por globos”....

Mais que os significados simbólicos que essas colunas possam ter, entretanto, talvez uma interpretação pragmática possa nos dar uma explicação melhor. B, no alfabeto hebraico significa firmeza e J força. Talvez, com esses nomes, Salomão quisesse, na verdade, indicar apenas disposições arquitetônicas. Significava que a estrutura do templo estava apoiada sobre essas duas colunas com solidez e resistência. A conexão com os significados dos simbolos fez o resto. Salomão, como todos os israelitas, acreditava nas promessas que Deus teria feito ao seu povo através dos profetas. Deus dissera que “habitaria” no meio daquele povo. Construindo um templo para Ele, estava, na verdade, selando essa promessa. Com isso Israel teria estabilidade como reino porque a força do Senhor estaria com eles. As duas colunas celebravam, dessa forma, uma crença firmemente estabelecida.

A tradição maçônica associou as duas colunas á sua própria liturgia ritual. J e B passaram a ser dois Mestres (Vigilantes), que imediatamente abaixo do Mestre Arquiteto Hiram (Venerável), administravam os dois substratos de trabalhadores que serviam no canteiro de obras do templo. B.: tornou-se o Primeiro Vigilante e J o Segundo. Daí a ritualística segundo a qual o que o Venerável decide, o Primeiro Vigilante estabelece e o Segundo confirma.

Uma outra interpretação das duas colunas gêmeas é a de que elas simbolizam as duas colunas de fogo e água que Jeová ergueu em frente das tropas do faraó, quando ele encurralou os hebreus junto ao Mar Vermelho. Diz a Bíblia que o Senhor ergueu colunas de fogo que impediam que os egípcios atacassem os hebreus enquanto eles cruzavam o mar. Depois, quando eles já haviam saído do outro lado em segurança, o Senhor afogou as tropas do faraó lançando sobre eles colunas de água. Salomão teria celebrado essa intervenção divina pela edificação das duas colunas. Por isso, inclusive, é que nos antigos rituais de iniciação, as cerimônias de purificação pelo fogo e pela água eram realizadas em frente aos respectivos altares onde se postam os dois Vigilantes, símbolos das respectivas colunas. Esse simbolismo é ainda hoje repetido, embora de forma sensivelmente modificada. Essa interpretação é a que consta dos Primeiros Catecismos Maçônicos de 1725.  

Fonte: O Malhete.

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JAMES ANDERSON

JAMES ANDERSON.

As constituições dos Francos-Maçons, Contendo a História, as Obrigações, Regulamentos, para o uso das lojas, tornaram-se conhecidas sob o nome de
" Constituições de Anderson ".
Anderson foi seu redator, desencumbindo-se do trabalho que lhe fora confiado pelo Grão Mestre George Payne. Ali está a história da maçonaria, até os princípios do século XVIII na Inglaterra. Contém as Obrigações, os Regulamentos Gerais, seguidos pelas Lojas ( É o que se espera nos dias de hoje ).
Foram publicadas no dia 24 de Junho de 1723, é o único documento escrito, assim penso, da Maçonaria Moderna. Algumas edições seguiram a primeira publicação : 1738; 1756; 1767; 1784; 1819 e 1827. As dua primeiras, publicadas sob sua responsabilidade,são raridades bibliográficas. A edição de 1784 foi a última que trouxe a chamada PARTE HISTÓRICA, ou a :
" HISTÓRIA DA ARQUITETURA " e começa assim : " Adão, nosso primeiro pai, criado à Imagem de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, deve Ter tido as Ciências Liberais, particularmente a Geometria, escritas em seu coração; pois mesmo depois da queda encontramos seus princípios no Coração de seus Descendentes...".
James Anderson era escocês, de Alberdeen, nasceu no ano de 1684, e morreu em 1739. Estudou teologia, tendo colado o grau de Mestre e Doutor.
Em 1710, foi nomeado Pastor da igreja presbiteriana escocesa de Swallow Street, em Londres, onde permaneceu até 1734. Uma curiosa coincidência marca sua passagem nessa Igreja. Ali havia trabalhado o Rev Jonh Désaguiliers, pai de J.Theophile Désaguiliers, que se tornaria Maçom famoso, colaborador
na redação da Constituição e, mais tarde Grão Mestre da Grande Loja.
Em 1730, James Anderson tomou a defesa da Maçonaria. Samuel Prichard havia publicado a
" Maçonaria dissecada, instalando um abalo e um escândalo, combateu, valorosamente, Prichard, o maçom renegado.
Casou se e teve dois filhos. Em 1734 transferiu-se para a Igreja do bairro Leicester Square, Lisle Strett, onde, permaneceu até sua morte, ocorrida no dia 28 de maio de 1739. Jean Palou, na obra Franco Maçonaria Simbólica e iniciática, escreveu: O jornal The Dayle Post, de 02 de Junho de 1739, nos apresenta uma descrição muito interessante de seus funerais: " Ontem à tarde, foi enterrado numa sepultura de profundidade fora do comum o corpo do Dr.Anderson, Professor não conformista. Os cordões do manto funerário eram segurados por quatro Professores da mesma religião e pelo Reverendo Dr. Désaguiliers.Era acompanhado mais ou menos por uns doze maçons que ficaram em torno da sepultura. Depois que o Dr.Earle pronunciou uma olocução sobre a incerteza da existência...etc, os Irmãos tomaram uma solene atitude fúnebre, levantaram sua mãos, suspiraram e bateram três vezes em seus aventais em honra ao defunto." Continua a citação :
" Este texto é sugestivo por mais de uma razão e a expressão de " uma sepultura de profundidade fora do comum " é reveladora de certas sociedades iniciáticas,às quais deveria pertencer o defunto, como aparece aqui o " sinal de horror ", principalmente aquele usado na Maçonaria inglesa.
( fls. 51/52 )
Deixou escritos Sermões ( Unidade na Trindade ) " testemunhos de sua fé cristã e de que, ao contrário do que foi dito, ele jamais aderiu ao deísmo filosófico ". O Sermão do Dia da Saúde; Assassinos do Rei, e não; Crença nos Santos; a Prisão dos Devedores. Escreveu, também a Genealogia Real, versando os Imperadores, reis e princesas, desde Adão. Os livros Conversas com os Mortos e Notícias de Elysium.
Os que escreveram sobre Anderson, informam que ele perdeu,e muitos outros também, perderam seus bens ou fortuna, no desastre financeiro de 1720, em Londres. Até hoje não se sabe o lugar e data de sua iniciação. Foi Venerável da Loja número 17.Segundo Kurt Prober ( minha biblioteca possui toda sua obra ) em 1723, foi Grande Vigilante da Grande Loja. Seu nome aparece nos registos das Lojas Horne Tavern e na Lodge of Salomon's Temple, de Westminster e Hermmings Row, em 1723 e 1725, respetivamente.
Robert Ambelain, em seu livro El Secreto Masónico ( La franc-Maçonnieire Oubliée), Ediciones Martínez Roca, S/A Barcelona, Espanha, trás interessante Capítulo sob o título Irregularidade de La Gran Logia de Inglaterra, onde aborda a figura de James Anderson. Em resumo, diz ele : a partir de Setembro de 1714, Anderson passou a divulgar e educar profanos nas ideias maçonicas e que, no fim do ano, provavelmente, no dia se São João, fundou uma Loja com sete membros, no local onde reuniram, na Taverna Goose and Giridiron
( O Ganso e a Grelha), Loja essa que no ano seguinte se converteu na Loja Antiquity.
Continua Ambelaim: Anderson não era Mestre da Loja, nem sequer maçom regular, por isso não podia transmitir a iniciação maçonica. Não se encontrou rastro de sua iniciação. Era capelão da Loja, situação ocasional, quando ha necessidade de seus serviços particulares. Dentro do título do Capítulo, Ambelain escreve, ainda, que mais tarde, em 1717, estes maçons, que ele chama de irregulares, constituiram quatro Lojas, que viriam a formar a Grande Loja de Londres.
Ambelain descreve, nos mesmos termos aqui consignados anteriormente, os funerais de Anderson.
As observações de Ambelain conduzem a outras, que entendo interessantes.
Não se sabe a respeito de sua iniciação. As notícias são do tempo da maçonaria operativa. Capelão da Loja ( no rito Emulação, conservou-se o Capelão, o orador de Hoje nos demais ritos); fala no Médico da Loja, ambos com funções distintas, a religiosa ou espiritual e a referente à saúde de seus membros.
O livro é muito interessante e, no mesmo capítulo há referência curiosa ao problema, mas sempre atual, do relacionamento da Igreja Católica com a Igreja Anglicana e, especialmente, no que se refere à discutida regularidade apostólica dos seus bispos. Ambelain diz que a maior parte deles são membros da Grande Loja da Inglaterra.
Como se vê, os assuntos se multiplicam e escapama estas linhas que traçaram o perfil de Anderson e um pouco de sua história.
Seu nome e seu trabalho passaram pelo crivo impiedoso dos críticos, inclusive maçons de nome. Entretanto, ninguém conseguiu retirar-lhes os méritos, que foram muitos e incontestáveis. O seu trabalho confere -lhe o direito de ser chamado : UM NOME ÍMPAR na historia da maçonaria.

Bibliografia :

Ambelain, Robert,
El Secreto Masónico.

Aslan, Nicola.
Dicionário.

Ligou, Daniel,
Dictionnaire de la Franc-Maçonaria,

Mackey, A.G.Encyclopédia,

Coil's,
Masonic Encyclopédia,

Mellor, Alec.
Discionário e

Prober, Kurt ( Isa Chan , Pseudônimo )
A bigorna.

Pesquisa Ir. José Humberto de Oliveira MM.'.

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Alquimia do Grau Três

03 de Fevereiro 2017

A ALQUIMIA DO GRAU 3

Em nossa Maçonaria temos por base de estudos nossos símbolos e alegorias que podem ser interpretados por diferentes maneiras, após passarmos para o Grau de Mestre Maçom, ou seja, no grau da plenitude maçônica podemos ver que a tradição dos símbolos é, também, uma ciência viva. 

Ela permite, a aquele que a possui, adaptar seus conhecimentos ás necessidades de seus irmãos, só erguer uma sociedade que naufraga, amparar e reanimar um coração sem coragem e projetar a luz até onde ás próprias trevas parecem ter seu domínio absoluto.

A Maçonaria é uma herdeira de antigas tradições que estuda seus símbolos e com isso temos nossa história simbólica a ser desvendada.

Podemos começar pelo Painel de nossa Loja revendo alguns instrumentos que conhecemos bem, como a Régua, o Esquadro e o Malho. E que foram usados indevidamente por Jubelas, Jubelos e Jubelum na, morte de nosso saudoso Mestre Hiram que apesar de ser simbólica, nos reflete a pura tradição maçônica isto é a virtude e a sabedoria.

Os nossos ornamentos são o Pórtico, a Lâmpada Mística e o Pavimento Mosaico.

O Pórtico: que é a entrada para o Sanctus Sanctorum, local esse onde eram enterrados os sumo sacerdotes. que também nos é uma recordação de nossos deveres morais, pois antes de transpô-lo, para chegarmos ao grau de mestre devemos adornar e fortalecer nosso caráter a fim de compreender os mistério a serem recebidos na Câmara do Meio. 

A Lâmpada Mística: que ilumina o pórtico e simboliza irradiação divina cuja luz penetra os nossos mais íntimos pensamentos e sem a qual tudo voltaria as mais densas trevas.

O Pavimento Mosaico: que é o local por onde caminha o sumo sacerdote, representa o mundo, com suas dificuldades e contrastes, cujo caminho percorremos com intermitência de sombra e de luz, de alegria e tristeza, de felicidade e desdita.

A Caveira e as Tíbias Cruzadas são emblema de mortalidade e aludem à morte do Mestre, é também uma lição sobre a fragilidade das coisas terrenas e sobre a vida efêmera do mundo físico. O´´x´´ formado pelas tíbias assemelha em seu formato, a uma das variações da cruz , chamada de Cruz de Santo André.

Se por um lado, o Crânio simboliza a morte física, os Fêmures no formato da Cruz de Santo André, representam a vida e a perfeição. Simboliza ainda a igualdade, pois recorda que todo homem é igual em seu invólucro externo.
Este símbolo convida-nos finalmente, a refletir sobre o que nos ensina o trecho do Livro da Lei recitado no Grau - 03.
Lembra-te do teu criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos o qual venhas a dizer:
Não tenho neles contentamento; e o Pó volte a terra, como o era, e o Espírito volte a Deus que o deu.

Os utensílios do M\M\são: O Cordel, o Lápis e o Compasso.

O Cordel: serve para marcar todos os ângulos do edifício, fazendo-os iguais e retos para que os alicerces possam suportar a estrutura; nos indica ainda a linha de conduta, sem falhas, baseada nas verdades contidas no Livro da Lei.

O Lápis: que o arquiteto hábil desdenha a elevação e traça os diversos planos para a construção e orientação dos obreiros; e nos adverte que nossos, atos, palavras são observados pelo todo poderoso, a quem devemos contas de nosso poder nesta vida.

E o Compasso: que serve para determinar com certeza e precisão os limites e as diversas partes da construção; nos recorda sua justiça imparcial e infalível, mostrando-nos que é necessário distinguirmos o bem do mal, a justiça da iniquidade, a fim de ficarmos em condições de, como um compasso simbólico, apreciar e medir, com justo valor, todos os atos que tivermos de praticar.

Conhecemos o significado da Acácia que é o símbolo de uma vida indestrutível e representa a sobrevivência de energias, que a morte não pode destruir.

Conhecemos ainda a Câmara do Meio que é onde aqueles que depois de estudarem e meditarem profundamente compreendem os mistérios da natureza.

O assassinato de nosso Mestre Hiram Abiff, por três maus companheiros que apesar de ser simbólico, nos inspira e nos demonstra a pura tradição maçônica, isto é a virtude e a sabedoria, postas constantemente em perigo pela ignorância, pelo fanatismo e pela ambição.seu túmulo tem as seguintes dimensões três pés de largura, cinco de profundidade e sete de comprimento, esses números, correspondem aos números sagrados propostos a meditação dos AAp\CComp\e MM\O túmulo de Hiram encerra o segredo da grande iniciação que só é desvendado pelos pensadores capazes de conciliar os antagonismos pelo ternário de conceber a quintessência dizimada pelas exterioridades sensíveis de aplicar a lei do setenário ao domínio da realização. 

A Palavra Perdida: que se tornou a chave do segredo maçônico, ou melhor, é a compreensão daquilo que permanece ininteligível aos profanos e aos iniciados imperfeitos. Essa é a palavra vivificadora, é o verbo criador que o homem perdeu desde o pecado original, isto é desde o momento em que começou a alimentar-se com os frutos indicados pela sua mente objetiva; resumindo a Pal.’. Perdida é aquela que somente sai da boca de Deus. O homem deus, que pode emitir aquela milagrosa palavra, é aquele que venceu o vício com a virtude, o erro com a verdade, e o egoísmo com o amor e o sacrifício. 

Essa palavra Moabom: tão pouco se tem podido decifrar o significado dessa palavra, porém, segundo a magia do verbo significa:
a carne se desprende dos ossos. 

A morte iniciática da matéria engendra o filho ou o que equivale a aquele que morre para as atrações materiais, converte-se em filho amado´. 
Essa palavra só se é pronunciada através dos cinco pontos da perfeição, ou seja, os cinco pontos perfeitos do Mestrado que são:
Pé contra Pé, Joelho contra Joelho, Peito contra Peito, Mãos Direita unidas em forma de Garra; Mão Esquerda sobre o Ombro Direito. 

A aproximação dos pés perfeitos indica, que os Mestres não hesitam em correr em socorro de seus IIr\ Os joelhos que se tocam, são promessas de intercessão em caso de necessidade, os peitos unem-se em sinal de que abrigam as mesmas verdades e que seus corações batem em uníssono, animados dos mesmos sentimentos; a mão direita em garra indica a união indissolúvel que os liga, mesmo em meio das maiores vicissitudes; e a mão esquerda sobre o ombro direito simboliza que se ampararão mutuamente numa possível queda.

Assim como os CComp\ os Mestres também tem sua palavra de passe que é Tubalcaim : que a Bíblia assim denomina trabalhadores de pedra, que colaboraram com os Maçons de Salomão e com os de Hiram, Rei de Tiro, na construção do Templo de Jerusalém.

A idade do Mestre Maçom é sete anos e mais, pois pertence ao Mestre o estudo detalhado do setenário, é o número mais sagrado porque contém a trindade e o quaternário e representa o poder divino em toda sua plenitude ; no setenário encontramos o eu sou atuando e ajudado por todos os elementos.

Esse número nasce do seis pela unidade central dos dois triângulos entrelaçados, conhecidos por signo de Salomão ou estrela microscópica (flamejante). 

Os Mestres viajam do Or\para o Oc\e do S\para o N\para espalharem a luz e reunirem o que está disperso. Ou seja, para ensinarem o que sabem e aprenderem o que ignoram, concorrendo, por toda parte, para que reinem a harmonia e a fraternidade entre os homens. 

Os mistérios do número sete:

Como bem sabemos a idade do Mestre Maçom que é sete equivale ao desenvolvimento dos sete centros magnéticos, chamados as sete igrejas regidas pelos sete Anjos do Senhor.
Para justificar sua idade iniciática, o Mestre não pode ignorar as explicações que os antigos davam sobre as propriedades dos números. 
Com o sete, o iniciado domina as duas forças da alma e do mundo, afirma-se em sua trindade, reina sobre os quatro elementos, coroa-se com o pentagrama, equilibra-se com os dois triângulos, o numero seis, e por último, faz a função de Deus criador com o numero sete. 

O Segundo Grau o conduz ao liminar do setenário, fazendo-o subir os sete degraus do templo.compete-lhe agora, partindo do sete, percorrer toda a série de números superiores. 

Os filósofos herméticos distinguiram sete influências distintas, que se manifestam em todo ser organizado, quer se trate do macrocosmo (mundo celeste, ou mundos grandes), quer do microcosmo (mundo terrestre ou mundo pequeno) representado pelo indivíduo humano, vegetal ou mineral.

A trindade setenária: que é representada simbolicamente por três anéis entrelaçados, onde se encontra o setenário; destinada a guiar os aspirantes ao verdadeiro mestrado intelectual.

Este setenário assim esboçado encontra-se até nos sete pecados capitais cuja distinção se funda em dados iniciáticos; se fosse suprimido um só desses pecados capitais, o equilíbrio do mundo material romper-se-ia. Nada demonstra melhor a importância do setenário, tal como concebem os iniciados.

Pode o homem ser iniciado, várias vezes, porém, se não for aprovado pela inteligência solar interna e se não adquirir a grande consciência, para sempre inúteis serão as suas iniciações; enquanto o eu sou não se puder manifestar dentro de seu sistema central, composto dos centros, nunca poderemos chegar á suprema verdade.

A octanada solar: o número oito encontra-se no emblema babilônico do sol; o sol era considerado, pelos antigos, como um dos agentes coordenadores do mundo, mas se lhe atribuía, por outro lado, uma influência permanente, essencialmente reguladora.
é ele que assegura a ordem das estações, sucessão regular do dia e da noite, de modo que, por extensão, todo o funcionamento normal fosse considerado como obra sua.

O Deus luz tem horror á desordem, que reprime por toda parte; é por isso que ele favorece o raciocínio lúcido, que coordena as idéias segundo as leis de uma lógica sã.

Quando o iniciado desenvolve os sete centro magnéticos pela ascensão da energia criadora significa que ele está pronto para a libertação que conduz á divindade no estado de potência,baseado no sacrifício que é um novo sistema, composto de oito faculdades, para tornar efetiva sua divindade ou potência do amor. 

Pesquisa:  José Humbero Oliveira .'.MM.'. 
Editora : Pensamento.

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Maçonaria Universal

03 de Fevereiro 2017

MAÇONARIA UNIVERSAL. TEMÁTICA RITUALÍSTICA

A Maçonaria é uma Ordem Iniciática mundial. É apresentada como uma comunidade fraternal hierarquizada, constituída de homens que se consideram e se tratam como irmãos, livremente aceitos pelo voto e unidos em pequenos grupos, denominados Lojas ou Oficinas, para cumprirem missão a serviço de um ideal. Não é religião com teologia, mas adota templos onde desenvolve conjunto variável de cerimônias, que se assemelha a um culto, dando feições a diferentes ritos. Esses visam despertar no Maçom o desejo de penetrar no significado profundo dos símbolos e das alegorias, de modo que os pensamentos velados neles contidos, sejam decifrados e elaborados. Fomenta sentimentos de tolerância, de caridade e de amor fraterno. Como associação privada e discreta ensina a busca da Verdade e da Justiça.

PROVÁVEL ORIGEM

A provável origem da maçonaria tem provocado variadas versões entre os inúmeros historiadores. As opiniões prevalecem em torno da hipótese sobre a constituição das Corporações de Construtores na Idade Média. Essas agremiações reuniram a maioria dos profissionais voltados para a elaboração de projetos e para a construção de templos e palácios. Paralelamente na bibliografia sobre economia social, os pesquisadores destacam dois períodos da Idade Média como fundamentais na organização das relações comerciais e profissionais da época. Um, a Baixa Idade Média que mostrou uma atividade econômica pujante apoiada na agricultura sustentada no regime feudal. O comércio com papel secundário. O outro período, a Alta Idade Média, marcada pelo surgimento das corporações de Ofício, com o objetivo de regular preços, salários, quantidades produzidas e a especificação de produção.

A maior parte dessas corporações foram influenciadas pelas alterações das condições do mercado da mão de obra e, gradativamente, alteraram suas atividades e finalidades. Se distanciaram do papel de representatividade das classes que congregavam e se encaminharam para modelos de entidades com fins assistenciais. Mais tarde, rumaram na direção das iniciativas com conteúdos culturais, políticos e religiosos. A maçonaria que delas se originou, optou por diferentes procedimentos litúrgicos, conforme substratos conceituais das comunidades praticantes. Nas regiões lideradas pela Grã-Bretanha predominou o simbolismo religioso associado ao cientificismo empírico, na França e na Alemanha, teve preferência o simbolismo esotérico e o racionalismo judaico-cristão.

SISTEMAS RITUALÍSTICOS

Os ritos maçônicos são conjuntos de regras e procedimentos empregados nos cerimoniais litúrgicos das Lojas, que empregam símbolos e lendas para representarem princípios de moral e ideias conceituais. Embora os Maçons afirmem se tratar de propósito primordial da corporação o respeito às preferências político partidárias e religiosas dos seus Obreiros, desestimulando discussões sobre os temas, não desconhecem, no entanto, que os ritos são espelhos de movimentos coletivos empreendidos por setores da sociedade, vinculados a uma religião e ou a escolas filosóficas e culturais, em evidência nos séculos XVII e XVIII.

São muitos os fatores de época e de conhecimentos que contribuíram para a configuração dos principais rituais maçônicos. Em meados do século XVIII foram criados sistemas que organizaram ritualmente a Maçonaria. Na França, por exemplo, surgiram mais de 75 desses sistemas. A partir de 1760 começou o período de implantação da metodologia interna da Maçonaria. Foram elaborados ritos por justaposição ou por fusão de sistemas. Somente após essa fase é que apareceram rituais manuscritos para a formalização dos procedimentos como um culto. No final do século XVII a maçonaria tinha dois graus: Aprendiz e Companheiro, dirigidos por um Companheiro mais experiente e capacitado, eleito o Mestre da Loja.

O primeiro documento relativo a um terceiro grau data de 1711, seis anos antes da fundação da Grande Loja de Londres, a primeira federação de Lojas que surgiu no mundo, formada por quatro Lojas, que, até então, reuniam-se de modo autônomo e livre de hierarquia institucional. Em 1740 algumas Lojas admitiram e outorgaram mais de três graus. Seguiu-se um período de intensificação dessa prática, que teve um incremento inicial na França e na Alemanha e, a seguir, na Inglaterra.

A PRIMEIRA GRANDE LOJA

A primeira federação que reuniu as Lojas maçônicas sob uma obediência coletiva institucional, foi a Grande Loja de Londres, fundada em 24 de junho de 1717, através da associação participativa de quatro Lojas que, até essa data, se reuniam de modo independente. Não havia rito com graus sequenciais como temos no presente. Duas cerimônias apenas, faziam parte da caminhada evolutiva do maçom no seu processo Iniciático: a Recepção a um Candidato e a Passagem do Aprendiz para o Grau de Companheiro. Além dessas, um evento especial, que era realizado uma vez ao ano após a eleição de um Companheiro para a presidência da Loja, marcava a exaltação do mesmo à condição de Mestre Instalado no cargo.

O grau de Mestre Maçom ainda não havia sido criado. Para os líderes da fundação da Grande Loja, a maçonaria era um culto secreto destinado a conservar e difundir a crença na existência de Deus, ajudar os maçons a ordenarem sua vida e orientarem o seu procedimento, segundo os princípios de sua religião. Posteriormente, a idéia sobre fé religiosa tornou-se menos rígida entre os maçons anglo-saxões, que, não obstante, continuaram admitindo apenas os crentes monoteístas. Valorizavam, essencialmente, a presença do Livro das Sagradas Escrituras durante os trabalhos, como símbolo da vontade revelada de Deus. O pensamento nuclear do maçom inglês hoje é a prática de uma moral capaz de unir todos os homens, sejam quais forem suas crenças.

A MAÇONARIA E O ANGLICANISMO

Em 1485, ascendeu ao trono da Inglaterra, Henrique VII, iniciador da dinastia Tudor. A nova dinastia, cujos principais representantes foram Henrique VIII (1509 a 1547) e Elizabeth I (1558 a 1603), estabeleceu um regime monárquico absolutista.

A afirmação do absolutismo foi facilitada com a reforma religiosa. O rompimento com Roma se deu por ocasião da questão surgida em torno do divórcio entre Henrique VIII e Catarina de Aragão. O soberano inglês, desejando casar-se com Ana Bolena, solicitou ao Papa Clemente VII a anulação do seu casamento com aquela que só lhe dera filhas. A recusa do Papa levou o monarca a proclamar o Ato de Supremacia, em 1534, homologado pelo Parlamento, que colocou a religião da Inglaterra sob a autoridade monárquica. Henrique VIII passou a se interessar pelo movimento reformista religioso que se difundia na Europa, por ele nutrindo simpatia crescente.

Elizabeth I intensificou o apoio de seu antecessor ao protestantismo e com ela no trono a Igreja Anglicana implantou-se definitivamente com suas características; um misto de crenças calvinistas, apoiadas sobre a organização de parte do catolicismo, conforme foi estabelecido no Ato dos 39 Artigos em 1563. Impulsionada por esse sentimento religioso expansionista, a monarquia tentou intervir na Igreja Presbiteriana da Escócia, para enfraquecer a seita. A iniciativa fez eclodir uma guerra civil, forçando o Rei da Inglaterra a reunir o Parlamento para pedir recursos. A oposição no Parlamento resistiu ao pedido, derrotando a concessão. O Rei mandou prender líderes oposicionistas e esses desencadearam um movimento revolucionário, conhecido como Revolução Puritana. A maioria no Parlamento, liderada por Oliver Cromwell, pertencente ao puritanismo, venceu e mandou aprisionar e decapitar o Rei, proclamou a República e designou Cromwell para governar, como Lorde Protetor.

Com a morte de Cromwell em 1658, abriu-se um período de crise institucional, que conduziu à restauração da dinastia dos Stuart; Carlos II em 1660 e Jaime II em 1685. Jaime II pretendeu restabelecer a primazia da religião católica, desprezando a preferência da maioria protestante. Foi facilmente vencido pela burguesia capitalista e pelos mercadores da cidade de Londres, na chamada Revolução Gloriosa de 1688. O Parlamento saiu fortalecido. Todavia, o povo não sentiu-se vitorioso, pois considerou a Revolução Gloriosa um movimento aristocrático. Foi a época em que evoluíram liberalidades, em resposta à rigidez do puritanismo, e eclodiram as polêmicas religiosas. Emergiu o caos dos costumes. Os dogmas foram atacados e ridicularizados. A religião sofre na Inglaterra o seu maior período de retrocesso. Uma reação foi necessária para neutralizar o avanço da corrupção e da libertinagem. Surgiram a partir de 1700, numerosas “sociedades para a reforma da conduta”, como foram intituladas na época. Com atuação firme e eficiente elas mobilizaram os setores mais conservadores do povo inglês e empenharam-se em reconduzi-lo ao sentimento de respeito pelos seus antigos princípios éticos e morais.

A maçonaria profissional, denominada entre os maçons, operativa, se integrou no movimento. Depois de um período de progresso proporcionado pelas frentes de trabalho criadas pelo incêndio em Londres, em 1666, voltara a entrar em decadência também. Perdera grande parte do seu caráter original e se transformara em mera fraternidade de socorros mútuos, adotando postura voltada para o culto a Deus e a preservação de uma mensagem de moral natural, de tolerância e de fraternidade. As Lojas das Corporações de Ofício procuraram meios para sobreviverem à crescente precariedade de sua situação funcional e financeira e abriram suas portas para profissionais de áreas estranhas à construção, os aceitos. Essas entidades se transformaram em cultos de incentivo à religiosidade e ao aprimoramento dos valores relativos à cidade.

As atividades das sociedades para a reforma da conduta, constituídas predominantemente pela burguesia, visaram principalmente as massas, pois não se sentiam encorajadas a criticar os costumes da nobreza inglesa.

A maçonaria continuou sendo procurada por interessados provenientes de variados setores da sociedade britânica. O processo transformou a maçonaria operativa em especulativa, quando a maioria em cada Loja foi formada por nobres, intelectuais e representantes de outras atividades profissionais. Essa nova maçonaria foi incumbida de atuar junto às classes superiores, visando melhores resultados na campanha de melhoria da conduta social. Foi o período que antecedeu a fundação da Grande Loja, em Londres, com base nos preceitos do anglicanismo e do simbolismo influenciado pelo iluminismo cientificista.

ILUMINISMO INGLÊS E MAÇONARIA

A pesquisa sobre a participação de profissionais não artesãos nos agrupamentos dos maçons, a partir do século XVII, revela que os aceitos constituíram núcleos diversificados de obreiros nas Lojas operativas. Algumas dessas deixaram de ser convencionais para se tornarem formadoras de opiniões. As Lojas frequentadas por intelectuais ganharam prestígio e marcaram a figura do livre pensador, um erudito que tinha salvo-conduto da realeza para divulgar suas ideias e melhorar os conhecimentos da elite. As reuniões maçônicas, a partir dessa época, proporcionaram nova visão do homem e do mundo e elevaram a complexidade dos conhecimentos à disposição da comunidade. Os interesses das monarquias, das religiões dominantes e das ciências criaram episódios relevantes, que colaboraram para a evolução organizacional e funcional da maçonaria. Foi o caso que se verificou na difusão do movimento filosófico e cientificista inglês, o iluminismo, a partir da Royal Society, que desempenhou papel fundamental na criação e na consolidação da primeira Grande Loja maçônica, em Londres. Despontou a liderança de John Theophilus Desaguliers, um francês que mudou-se pequeno com seus pais para a Inglaterra, onde anos mais tarde frequentou a Universidade de Oxford e se doutorou em Lei Canônica.

A ciência foi importante na vida de Desaguliers, principalmente a teoria das leis mecânicas de Newton, com quem estreitou laços de amizade. Foi eleito para a Royal Society em Londres e fez conferências em tavernas para divulgar a ciência newtoniana. Dedicou-se a interpretar princípios do Deísmo pois, para a sociedade de intelectuais londrinos, Deus era a Causa Primeira e Final do mundo, responsável pela Segunda razão da existência do Universo, a força de gravidade que ordena a relação dinâmica de todos os corpos celestes, interpretada e descrita por Isaac Newton.

Desaguliers estudou os conceitos filosóficos voltados para a importância do estudo da matéria e seus movimentos como elementos constitutivos do Universo. Acreditou que o Sábio e Todo-Poderoso Autor da Natureza iniciara Sua Obra divina pelo átomo e que dotara a matéria de movimento e de propriedades de atração e repulsão.

Como se constata, o sentimento materialista religioso esteve sempre muito presente na base das especulações científicas do iluminismo inglês, levado também para os alicerces conceituais que sustentaram a criação da Grande Loja de Londres e o novo modelo de Loja maçônica, apoiado na estrutura física do Parlamento e na pedagogia da Sociedade Real. Os princípios da arquitetura clássica igualmente tiveram forte receptividade entre os aristocratas britânicos no início do século dezoito. As características mais valorizadas foram a simetria, os arcos, as colunas dórica e jônica e os templos com domos.

Desaguliers integrou o partido político Whig, que surgiu depois da revolução de 1688, que pretendeu subordinar o poder da Coroa ao do Parlamento. As doutrinas que compuseram a ideologia da oligarquia Whig endossavam a idéia de soberania parlamentar com liberdades naturais, constituindo uma proposta de revolução política, que fez surgir no século seguinte o Partido Liberal inglês.

Desaguliers tornou-se Grão-Mestre eleito, dois anos depois da instalação da Grande Loja em 24 de junho de 1717, em Londres. Recrutou cientistas e outros pensadores para posições de liderança no projeto maçônico organizado, visando fazê-lo florescer em harmonia, reputação e número. Criou a figura do Deputado do Grão-Mestre, nomeado para representar o Grão-Mestre em situações de impedimento ou de coincidência temporal de eventos. Trabalhou estreitamente com o ministro presbiteriano James Anderson, membro da Royal Society, na redação de uma Constituição para a novel Grande Loja. Juntos, fizeram as primeiras analogias entre a antiga arquitetura e o moderno mundo da maçonaria intelectualista, sustentando que os princípios da antiga maçonaria possibilitaram a construção das pirâmides egípcias e o templo do Rei Salomão. Desaguliers e Anderson lançaram a idéia central que serviu de referência para a confecção da Tábua de Delinear do primeiro grau da maçonaria inglesa, onde estão desenhadas as colunas dos princípios dórico, jônico e coríntio, presentes nos desenhos simétricos dos antigos edifícios e que refletem a harmonia com a natureza. Nas Constituições da Grande Loja há especial menção aos direitos do Grão-Mestre, investido nas funções de Poder Executivo, concebido como um Primeiro Ministro da maçonaria.

O sistema de graus foi idealizado pelos líderes da Grande Loja para servir ao propósito de explicar as ideias da intelectualidade inglesa, a respeito do processo de aperfeiçoamento moral, cultural e filosófico do ser humano, em que a escada simboliza a ascensão individual e estimula a busca do conhecimento que qualifica a caminhada existencial.

A Grande Loja ajudou as Lojas locais a funcionarem como assembleias, elegendo os dirigentes da sua entidade maior e mantendo encontros permanentes para discutirem assuntos importantes para a comunidade, além de servirem como centros ritualísticos, conferindo os graus aos candidatos admitidos. As Lojas promoviam ações filantrópicas, contribuíam para o Fundo de Caridade da Grande Loja e prestavam assistência financeira aos maçons necessitados. Nessas condições, em que observa-se a presença da Grande Loja como uma coordenação centralizadora das principais iniciativas, houve a intensa promoção, entre 1719 e 1736, de atividades sociais e culturais nas Lojas e em toda a Londres, Lojas que funcionavam em cafés, tavernas e hospedarias, promovendo a sociabilidade, a expansão da cultura e a vida clubística.

Inegável é que o sistema ritualístico, com sua pedagogia maçônica diferenciada, provou ser um veículo efetivo para a explicação das ideias do século dezoito, dos conceitos newtonianos aos princípios éticos do Deísmo. O sistema ritualístico funcionou também como uma religião civil e foi reconhecido como uma importante fonte do anglofilismo. Os maçons ingleses entenderam que as leis da mecânica newtoniana revelavam muito sobre o ordenamento da natureza e que as doutrinas deitas, da mesma maneira, ajudavam a definir princípios apropriados para a conduta moral da sociedade.

AS TAVERNAS

Por volta de 1356, grupos de trabalhadores especializados na arte de construir, primeiro em madeira e depois em pedra, sentiram a necessidade de criar uma organização que os congregasse e cuidasse dos seus direitos. Essa etapa durou mais de duzentos anos e as reuniões foram realizadas em construções pequenas situadas ao lado da obra principal.

No século XVII, entraram nas primitivas Sociedades dos Pedreiros de Ofício, os primeiros praticantes de outras profissões, admitidos em nome da contribuição cultural que podiam proporcionar. Os novos grupos se expandiram. Os espaços acanhados das reuniões realizadas nos anexos das obras foram abandonados e trocados por outros mais confortáveis, encontrados principalmente nas salas das tavernas, das cervejarias e das estalagens. Os recantos isolados desses estabelecimentos públicos ganharam a preferência e os encontros contaram, a partir daí, com um outro ingrediente; a possibilidade de comer, beber e conversar após a reunião.

A confirmação do hábito desenvolveu o comércio específico das empresas e várias dessas tavernas e cervejarias se tornaram famosas pela sua colaboração na estruturação da maçonaria enriquecida pelos “aceitos especulativos”, ou seja, aqueles que não trabalhavam com a pedra, e sim, com as ideias.

Quatro tavernas se destacaram em prestígio no meio maçônico, porque serviram de alicerce para a fundação da Grande Loja de Londres. Foram a Ganso e Grelha, a Macieira, a Coroa e a Copázio e as Uvas.

A MAÇONARIA INTITULADA ESCOCESA

Documentos de 1735 fazem referência à expressão “Mestre Escocês”, que parece significar um artesão ou arquiteto especialmente qualificado. É provável que seja em analogia aos artesãos que viajaram da Inglaterra para a Escócia, no século VIII, com a finalidade de conhecerem a emergente e promissora arquitetura dos belos castelos do norte da Escócia. Esses maçons mantiveram o hábito de realizarem suas assembleias gerais, desenvolvendo um nível elevado de conhecimentos. Os encontros constituíram em 1150 a Corporação de Kilwinning, que passou a ter sede na abadia de Kilwinning, em construção desde 1040. A classificação “Mestres Escoceses” se generalizou, seus encontros formais e a qualificação profissional constituíram o que mais tarde se converteu em um dos ritos maçônicos especulativos mais conhecidos e praticados no mundo, o Rito Escocês Antigo e Aceito. Em 1758 foram acrescidos graus cavalheirescos aos três primeiros, sendo criado um sistema de Altos Graus, com limite em 25. Mais tarde, provavelmente em 1801, passou a contar 33 graus.

Pesquisa Ir. José Humberto de Oliveira.'.MM.'.

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Constituição de James Anderson

 

Terça Faira, 17 de Janeiro 2017

A Constituição de Anderson

A Constituição de Anderson é considerada como o "farol" que guia toda a actividade da Maçonaria regular. Pese embora ter sido escrita há quase 300 anos, a sua influência mantém-se.

Constituição de Anderson

I - Respeitando a Deus e à Religião

Um Pedreiro é obrigado, pela sua condição, a obedecer à lei moral. E, se compreende correctamente a Arte, nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso. Mas, embora, nos tempos antigos, os pedreiros fossem obrigados, em cada país, a ser da religião desse país ou nação, qualquer que ela fosse, julga-se agora mais adequado obrigá-los apenas àquela religião na qual todos os homens concordam, deixando a cada um as suas convicções próprias: isto é, a serem homens bons e leais ou homens honrados e honestos, quaisquer que sejam as denominações ou crenças que os possam distinguir. Por consequência, a Maçonaria converte-se no Centro de União e no meio de conciliar uma amizade verdadeira entre pessoas que poderiam permanecer sempre distanciadas.

II - Do Magistrado Civil supremo e subordinado

Um Pedreiro é um súbdito tranquilo do poder civil, onde quer que resida ou trabalhe e nunca deve imiscuir-se em planos e conspirações contra a paz e o bem-estar da nação, nem comportar-se indevidamente para com os magistrados inferiores. Porque, como a Maçonaria tem sido sempre prejudicada pela guerra, a efusão de sangue e a desordem, assim os antigos reis e príncipes dispuseram-se a encorajar os artífices por causa da sua tranquilidade e lealdade, por meio das quais respondiam, na prática, às cavilações dos adversários e concorriam para a honra da Fraternidade, sempre florescente em tempo de paz. Eis porque, se um irmão for rebelde para com o Estado, não deve ser apoiado na sua rebelião conquanto possa ser lamentado como um infeliz; e, se não for culpado de nenhum outro crime, embora a Fraternidade leal deva e tenha de rejeitar a sua rebelião e não dar sombra ou base de desconfiança política ao governo existente, não pode expulsá-lo da loja e a sua relação para com ela permanece indefectível.

III - Das Lojas

Uma Loja é o local onde se reúnem e trabalham pedreiros. Portanto, toda a assembleia ou sociedade de pedreiros, devidamente organizada, é chamada loja, devendo todo o irmão pertencer a uma e estar sujeito ao seu regulamento e aos regulamentos gerais. Uma loja é particular ou geral e será melhor entendida pela sua frequência e pelos regulamentos da loja geral ou Grande Loja, adiante apensos. Nos tempos antigos, nenhum mestre nem companheiro se podia ausentar dela, especialmente quando avisado para comparecer, sem incorrer em severa censura, a menos que parecesse ao mestre e aos vigilantes que a pura necessidade o impedira.
As pessoas admitidas como membros de uma loja devem ser homens bons e leais, nascidos livres e de idade madura e discreta, nem escravos, nem mulheres, nem homens imorais ou escandalosos, mas de boa reputação.

IV - Dos Mestres, Vigilantes, Companheiros e Aprendizes

Toda a promoção entre pedreiros é baseada apenas no valor real e no mérito pessoal, a fim de que os senhores possam ser bem servidos, os irmãos não expostos à vergonha e a arte real não seja desprezada. Portanto, nenhum mestre nem vigilante é escolhido por antiguidade, mas pelo seu mérito. Torna-se impossível descrever estas coisas por escrito, e cada irmão deve ocupar o seu lugar e aprendê-las na maneira própria desta Fraternidade. Fiquem apenas sabendo os candidatos que nenhum mestre deve tomar aprendiz a menos que tenha ocupação bastante para ele e a menos que se trate de um jovem perfeito, sem mutilação nem defeito no corpo que o torne incapaz de aprender a arte, de servir o senhor do seu mestre, e de ser feito irmão e depois companheiro em tempo devido, mesmo após ter servido o número de anos consoante requeira o costume do país; e que ele provenha de pais honestos; de maneira que, quando qualificado para tal, possa ter a honra de ser vigilante, depois mestre da loja, grande vigilante e, por fim, grão-mestre de todas as lojas, conforme ao seu mérito.
Nenhum irmão pode ser vigilante sem ter passado pelo grau de companheiro; nem mestre sem ter actuado como vigilante; nem grande-vigilante sem ter sido mestre de loja; nem grão-mestre a menos que tenha sido companheiro antes da eleição, e que seja de nascimento nobre ou gentleman da melhor classe ou intelectual eminente ou arquitecto competente ou outro artista saído de pais honestos e de grande mérito singular na opinião das lojas. E para melhor, mais fácil e mais honroso desempenho do cargo, o grão-mestre tem o poder de escolher o seu próprio grão-mestre substituto, que deve ser ou deve ter sido mestre de uma loja particular e que tem o privilégio de fazer tudo aquilo que o grão-mestre, seu principal, pode fazer, a menos que o dito principal esteja presente ou interponha a sua autoridade por carta.
Estes dirigentes e governadores, supremos e subordinados, da antiga loja, devem ser obedecidos nos seus postos respectivos por todos os irmãos, de acordo com os velhos preceitos e regulamentos, com toda a humildade, reverência, amor e diligência.

V - Da Gestão do Ofício no Trabalho

Todos os pedreiros trabalharão honestamente nos dias úteis para que possam viver honradamente nos dias santos; e observar-se-á o tempo prescrito pela lei da terra ou confirmado pelo costume.
O mais apto dos companheiros será escolhido ou nomeado mestre ou inspector do trabalho do Senhor; e será chamado mestre por aqueles que trabalham sob ele. Os obreiros devem evitar toda a linguagem grosseira e não se tratar por nomes descorteses, mas sim por irmão ou companheiro; e devem comportar-se com urbanidade dentro e fora da loja.
O mestre, conhecendo-se a si mesmo capaz de destreza, empreenderá o trabalho do Senhor tão razoavelmente quanto possível e utilizará fielmente os materiais como se seus fossem; nã dará a irmão ou aprendiz maiores salários dos que ele, realmente, possa merecer.
Tanto o mestre como os pedreiros, recebendo os seus salários com exactidão, serão fiéis ao Senhor e terminarão o trabalho honestamente, quer ele seja à tarefa quer ao dia; não converterão em tarefa o trabalho que costume ser ao dia.
Ninguém terá inveja da prosperidade de um irmão, nem o suplantará, nem o porá fora do trabalho se ele for capaz de o terminar; porque nenhum homem pode terminar o trabalho de um outro com o mesmo proveito para o Senhor a menos que esteja completamente familiarizado com os desenhos e planos daquele que o começou.
Quando um companheiro for escolhido como vigilante do trabalho sob o mestre, será leal tanto para com o mestre como para com os companheiros, vigiando zelosamente o trabalho na ausência do mestre, para proveito do Senhor; e os seus irmãos obedecer-lhe-ão.
Todos os pedreiros empregados receberão o salário em sossego, sem murmurar nem se amotinar, e nã abandonarão o mestre até o trabalho estar concluído.
Cada irmão mais jovem será instruído no trabalho, para se evitar que estrague os materiais por falta de conhecimento e para aumentar e continuar o amor fraternal.
Todas as ferramentas usadas no trabalho serão aprovadas pela Grande Loja.
Nenhum outro trabalhador será empregado no trabalho próprio da Maçonaria; nem os pedreiros-livres trabalharão com aqueles que não forem livres, salvo necessidade urgente; nem ensinarão trabalhadores e pedreiros não aceites como ensinariam um irmão ou um companheiro.

VI - Da Conduta

1. Na Loja, enquanto constituída

Não organizareis comissões privadas nem conversações separadas sem permissão do mestre, nem falareis de coisas impertinentes nem indecorosas, nem interrompereis o mestre nem os vigilantes nem qualquer irmão que fale com o mestre; nem vos comportarei jocosamente nem apalhaçadamente enquanto a loja estiver ocupada com assuntos sérios e solenes; nem usareis de linguagem indecente sob qualquer pretexto que seja; mas antes manifestareis o respeito devido aos vossos mestre, vigilantes e companheiros e venerá-los-eis.
Se surgir alguma queixa, o irmão reconhecido culpado ficará sujeito ao juízo e à decisão da loja, a qual constitui o juiz próprio e competente para todas as controvérsias desse tipo (salvo se seguir apelo para a Grande Loja) e à qual elas devem ser referidas, a menos que o trabalho do Senhor seja no entretanto prejudicado, motivo pelo qual poderá usar-se de processo particular; mas nunca deveis recorrer à lei naquilo que respeite à Maçonaria sem absoluta necessidade, reconhecida pela loja.

2. Conduta depois de a Loja ter encerrado e antes dos irmãos terem partido

Podeis divertir-vos com alegria inocente, convivendo uns com os outros segundo as vossas possibilidades. Evitai porém todos os excessos, sem forçar um irmão a comer ou a beber para além dos seus desejos, sem o impedir de partir quando o chamarem os seus assuntos e sem dizer ou fazer qualquer coisa ofensiva ou que possa tolher uma conversação afável e livre. Porque isso destruiria a nossa harmonia e anularia os nossos louváveis propósitos. Portanto, não se tragam para dentro da porta da loja rancores nem questões e, menos ainda, disputas sobre religião, nações ou política do Estado. Somos apenas pedreiros, da religião universal atrás mencionada. Somos também de todas as nações, línguas, raças e estilos e somos resolutamente contra toda a política, como algo que até hoje e de hoje em diante jamais conduziu ao bem-estar da loja. Esta obrigação sempre tem sido prescrita e observada e, mais especialmente, desde a Reforma na Grã-Bretanha, ou a dissensão e secessão destas nações da comunhão de Roma.

3. Conduta quando irmãos se encontram sem estranhos mas não em loja formada.

Deveis cumprimentar-vos uns aos outros de maneira cortês, como vos ensinarão, chamando-vos uns aos outros irmãos, dando-vos livremente instrução mútua quando tal parecer conveniente, sem serdes vistos nem ouvidos e sem vos ofenderdes uns aos outros nem vos afastardes do respeito que é devido a qualquer irmão, mesmo que não fosse pedreiro. Porque embora todos os pedreiros sejam como irmãos, ao mesmo nível, a Maçonaria não retira ao homem a honra que ele antes tinha; pelo contrário, acrescenta-lhe honra, principalmente se ele bem mereceu da Fraternidade, a qual deve conceder honra a quem for devida e evitar as más maneiras.

4. Conduta na presença de estranhos não pedreiros.

Sereis prudentes nas vossas palavras e atitudes, a fim de que o mais penetrante dos estranhos não seja capaz de descobrir ou achar o que não convém sugerir; por vezes desviareis a conversa e conduzi-la-eis com prudência, para honra da augusta Fraternidade.

5. Conduta em casa e para com os vizinhos.

Deveis proceder como convém a um homem moral e avisado; em especial, não deixeis família, amigos e vizinhos conhecer o que respeita à loja, etc. mas consultai prudentemente a vossa própria honra e a da antiga Fraternidade por razões que não têm aqui de ser mencionadas. Deveis também ter em conta a vossa saúde, não vos conservando fora de casa, depois de terem passado as horas de loja; evitai os excessos de comida e de bebida, para que as vossas famílias não sejam negligenciadas nem prejudicadas e vós próprios incapazes de trabalhar.

6. conduta para com um irmão estranho.

Deveis examiná-lo com cuidado, da maneira que a prudência vos dirigir de forma que não vos deixeis enganar por um ignorante e falso pretendente, a quem rejeitarei com desprezo e escárnio, evitando dar-lhe quaisquer sinais de reconhecimento.
Contudo, se descobrirdes nele um irmão verdadeiro e genuíno, então deveis respeitá-lo; e, se ele tiver qualquer necessidade, deveis ajudá-lo se puderdes ou então dirigi-lo para quem o possa ajudar. Deveis empregá-lo durante alguns dias, ou recomendá-lo para que seja empregado. Mas não sois obrigado a ir além das vossas possibilidades, somente a preferir um irmã pobre, que seja homem bom e sincero, a quaisquer outros pobres em idênticas circunstâncias.
Finalmente, todas estas obrigações são para observardes, e assim também as que vos serão comunicadas por outra via; cultivando o amor fraternal, fundamento e remate, cimento e glória desta antiga Fraternidade, evitando toda a disputa e querela, toda a calúnia e maledicência, não permitindo a outros caluniar um irmão honesto, mas defendendo o seu carácter e prestando-lhe todos os bons ofícios compatíveis com a vossa honra e segurança e não mais. E se algum deles vos fizer mal, dirigi-vos à vossa própria loja ou à dele; e daí, podeis apelar para a Grande Loja, aquando da Comunicação Trimestral, e daí para a Grande Loja anual, como tem sido a antiga e louvável conduta dos nossos antepassados em todas as nações; nunca recorrendo à justiça a não ser quando o caso não se possa decidir de outra maneira, e escutando pacientemente o conselho honesto e amigo de mestre e companheiros quando vos queiram impedir de recorrerdes à justiça com estranhos ou vos incitar a pordes rapidamente termo a todo o processo, a fim de que vos possais ocupar dos assuntos da Maçonaria com mais alacridade e sucesso; mas com respeito aos irmãos ou companheiros em juízo, o mestre e os irmãos devem com caridade oferecer a sua mediação, a qual deve ser aceite com agradecimento pelos irmãos contendores; e se essa submissão for impraticável, devem então continuar o seu processo ou pleito sem ira nem rancor (não na maneira usual), nada dizendo ou fazendo que possa prejudicar o amor fraternal, e renovando e continuando os bons ofícios; para que todos possam ver a influência benigna da Maçonaria e como todos os verdadeiros pedreiros têm feito desde os começos do mundo e assim farão até ao final dos tempos.
Amen, assim seja.
Fonte: Anderson's Constitutions, Constitutions d'Anderson 1723, texte anglais de l'édition de 1723, introduction, traduction et notes par Daniel Ligou, Paris, Lauzeray International, 1978.
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O Siguinificado dos Cinco Pontos d Perfeição

O SIGNIFICADO DOS CINCO PONTOS DA PERFEIÇÃO.

Mão com mão, pé com pé, joelho com joelho, peito com peito tudo do lado direito e finalmente à mão esquerda sobre o ombro direito nas costas.

Mackey escreveu que “a maçonaria é um sistema de moralidade desenvolvido e revelado pela ciência do simbolismo”. Na maçonaria o simbolismo são os três primeiros graus da escada de Jacó, aonde entramos como aprendizes maçom e evoluímos até chegarmos a mestre maçom.

O Simbolismo transforma os fenômenos visíveis em uma ideia, e a ideia em imagem, mas de tal forma que a ideia continua a agir na imagem, e permanece, contudo, inacessível; e mesmo se for expressa em todas as línguas, ela permanece inexprimível.

Então qual é o real significado destes cinco pontos hoje conhecidos como da perfeição?

Podemos afirmar sucintamente que:

Mão com mão, eu o saúdo como Irmão. Pé com pé, eu o apoiarei em suas atitudes louváveis e em sua jornada. Joelho com joelho, é a postura das minhas súplicas diárias que me lembrarão de suas necessidades. Peito com peito, seus segredos, quando passados a mim, serão mantidos como se meus próprios. Mão nas costas, eu defenderei seu caráter em sua ausência como em sua presença.

Como existe todo um contexto muito especial nas palavras citadas acima, gostaria de exemplificar detalhadamente:

·      Mão com mão, quando as necessidades de um Ir.’. exigem amparo, nós não poderemos volta-lhe as costas se estivermos lhe apertando a mão, para lhe dar ajuda que pode salvá-lo de afundar, sabendo que este é merecedor e que não trará qualquer demérito a nós ou aos nossos entes queridos.

·      Pé com pé, a indolência não pode fazer para a nossa caminhada de nossos pés lado a lado e muito menos a cólera pode nos afastar os nossos passos. É importante lembrar que o homem não nasceu para satisfazer-se sozinho, mas para exercer benevolência, socorro e conceder assistência às demais criaturas e especialmente aos IIr.’. Maçons.

·      Joelho com joelho, quando recomendamos o bem estar dos nossos IIr.’. ao Supremo Arquiteto do Universo, devemos fazê-lo como se fosse para nós, assim com certeza estaremos pedindo de um coração fervoroso, nossas preces sendo reciprocamente requeridas, para o bem estar de um ou de outro, manteremos o nosso espírito fraternal.

·      Peito com peito, um segredo licito de um Ir.’., quando confiado a nós, deve ser mantido como fosse nosso, pois trair um segredo depositado por um Ir.’. a outro deve ser a maior injúria que se poderia receber em vida; mais ainda, seria como a vilania do assassino que encoberto pelas sombras, esfaqueia o coração de seu adversário quando esse esta desarmado e sem suspeitar o perigo.

·      Mão nas costas, o caráter e a reputação de um Ir.’. devem ser defendidos em sua presença ou ausência; não devemos injuriá-lo, nem permitir que o façam.

Portanto podemos afirmar que a fraternidade pelo os cinco pontos que hoje conhecemos como os cinco pontos da perfeição, obrigaram-nos a estarmos unidos em um sincero elo de afeição fraterna, que será suficiente para nos distinguir daqueles que é de fora à nossa Ordem Maçônica e pode demonstrar ao mundo em geral que a palavra Irmão entre os maçons é muito mais que apenas uma palavra e possui um significado muito especial.

Pequisa Ir. José Humberto de Oliveira.'.MM.'.

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As 07 Artes Liberais

Treça Feira 10 de Janeiro 2017

As Sete Artes Liberais.

Artes liberais é uma expressão que designa um conjunto de estudos e disciplinas através das quais se intenciona prover conhecimentos, métodos e habilidades intelectuais gerais para seus estudantes, ao invés de habilidades ocupacionais, científicas ou artísticas mais especializadas.

Visão geral do tema

Embora a expressão e o conceito de artes liberais tenha se originado na Antiguidade, foi nas Universidades da Idade Média que ela adquiriu seu alcance e significado atuais, bem como o número de disciplinas que a compõem (sete ao todo), descritas mais adiante.
Na Idade Moderna, as artes liberais eram consideradas as disciplinas próprias para a formação de um homem livre, desligadas de toda preocupação profissional, mundana ou utilitária. Contrapõem-se às artes mecânicas, ou seja, às disciplinas não diretamente relacionadas a interesses imateriais, metafísicos e filosóficos, mas estritamente técnicos (voltados à produção de utilidades que sirvam às necessidade cotidianas do homem).
O conceito de arte dado por Aristóteles — “a capacidade de produzir com raciocínio reto”, ou ainda, “uma disposição suscetível de criação acompanhada de razão verdadeira” — é capaz de fornecer alguns elementos acerca do conceito de artes liberais que os homens da Antigüidade e da Idade Média tinham.
Mediante o domínio das assim chamadas sete belas-artes, o homem seria capaz de produzir obras e idéias com poder de elevar o espírito humano para além dos interesses puramente materiais, rumo a um entendimento racional e livre da verdade.

Trivium e Quadrivium

Tradicionalmente, as sete artes liberais englobam, desde a Idade Média, dois grupos de disciplinas: de um lado, o trivium e do outro, o quadrivium. O trivium concentra o estudo do texto literário por meio de três ferramentas de linguagem pertinentes à mente. O quadrivium engloba o ensino do método científico por meio de quatro ferramentas relacionadas à matéria e à quantidade.

 

O Trivium

Etimologicamente, trivium significa “o cruzamento e articulação de três ramos ou caminhos”[1]. Esse grupo de disciplinas incluía a lógica (ou dialéctica), a gramática e a retórica. As artes do trivium teriam como objetivo prover disciplina à mente, para que esta encontre expressão na linguagem, especialmente no que se refere ao estudo da matéria e do espírito. De acordo com definições clássicas[2], a matéria teria como característica essencial o número e a extensão, temas analisados respectivamente pela aritmética e pela música, bem como pela geometria e astronomia (ou astrologia clássica). Segundo esta mesma definição, o espírito teria como caractere essencial o número.

O Quadrivium

O quadrivium, etimologicamente o cruzamento de quatro ramos ou caminhos[1] está voltado para o estudo da matéria, por meio do domínio das seguintes disciplinas: aritmética (a teoria do número); em música (a aplicação da teoria do número), em geometria (a teoria do espaço) e em astronomia (a aplicação da teoria do espaço)[1].
No âmbito do quadrivium, a música é entendida como o estudo dos princípios musicais, tais como harmonia, não podendo ser confundida com a música instrumental aplicada (uma das sete belas-artes). O objetivo destas artes ditas “da quantidade” era prover meios e métodos para o estudo da matéria, sujeitos a aprimoramento no âmbito das disciplinas ditas superiores.

Estudos Superiores

As disciplinas ditas superiores (de acordo com a definição dada pelos conceitos clássicos e medievais) formavam a parte central e preparatória do currículo das universidades medievais, preparando o aluno para entrar em contato com as três principais formações de tais centros de saber: a medicina, o direito e a teologia.
Como outras artes normativas — que ajustam ou regulam segundo um padrão ou norma — as artes da linguagem consistem em estudos práticos que ajustam a linguagem segundo uma norma, como por exemplo: o pensamento segundo a verdade, as palavras faladas e escritas segundo a correção ou a comunicação segundo a eficácia. É por isso que, no âmbito das artes liberais e dos princípios da educação superior, diz-se que “a verdade é a norma ou a meta da lógica”, “a correção é a norma da gramática” ou “a eficácia é a norma da retórica”.
Santo Tomás de Aquino e Aristóteles, na ocasião em que (ao primeiro) foi dito: “Bene scripsisti de me, Thoma”
Segundo os propugnadores de tal método educacional clássico, para que se possa penetrar em níveis de conhecimento superior das ciências, da metafísica ou da teologia, o indivíduo deve ser capaz de pensar de forma retilínea e coerente, fazendo uso correto e eficaz das palavras, nos mais variados níveis de discurso.
Como é cediço, a educação ocorre por meio da comunicação, ou seja, pelo encontro de duas ou mais mentes, a possuir algo em comum. De acordo com tal sistema, isso implicaria na conclusão de que o trivium, antes de mais nada, é um estudo básico, cujo objetivo primordial é dar início a uma vida de aprendizagem – algo meramente provisório – com a qual se adquire uma das cinco virtudes intelectuais, abaixo explicadas.
[editar]As Cinco Virtudes Intelectuais

De acordo com os postulados da educação clássica e medieval, assim como a linguagem é normalizada pelas artes da linguagem, o intelecto é aperfeiçoado pelas assim chamadas cinco virtudes intelectuais, sendo duas práticas e três teóricas – a saber: compreensão, ciência, sabedoria, prudência e arte.
Segundo definições clássicas, a compreensão é o captar intuitivo dos princípios primordiais (o pensamento lógico e a investigação lógica); a ciência é o conhecimento das causas mais prováveis; a sabedoria é a compreensão das causas ditas fundamentais; a prudência é o pensamento coerente concernente às ações e, por fim, a arte é o pensamento aplicado à produção e à capacidade de produzir.

Para aprofundar-se no tema, recomendo os sites abaixo:

http://www2.fcsh.unl.pt/iem/medievalista/MEDIEVALISTA7/medievalista-meirinhos7.htm

http://obelogue.blogspot.com.br/2008/08/o-carteiro-under-construction-trivium-e.html

Pesquisa Ir. José Humberto Oliveira.'.MM.'.

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