
Daniel Vorcaro passou a frequentar mais o Banco Central a partir de 2024, ano que marca o início das investigações sobre o Master
Oito sócios, executivos e ex-administradores do Banco Master, do Banco Pleno e do Will Bank entraram pelo menos 73 vezes no Banco Central (BC) de janeiro de 2020 a outubro de 2025, mostra levantamento da coluna. A autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial dessas e de mais seis instituições por suspeitas de fraudes financeiras e contábeis, entre outras irregularidades.
Os dados apontam não só para os padrões de movimentação dos envolvidos, mas também para a coordenação orquestrada ao se dividirem em três grupos para participar de agendas. Trata-se de diferentes atuações em conjunto ao longo de 6 anos em três unidades do BC.
Arte/ Metrópoles

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro encabeça o ranking, com 31 registros de entrada (quase 40% do total). Antes esporádicas, as visitas se intensificaram a partir de fevereiro de 2024, ano em que a Polícia Federal (PF) começou a investigar o escândalo financeiro – foram 23 desde então. Já em 2025 o banqueiro esteve no BC com periodicidade quinzenal e até semanal, representando um papel central no diálogo com a autoridade monetária.
A última vez que a instituição registrou a entrada de um dos nove figurões foi justamente a do dono do Banco Master, em 1º de outubro, um mês e meio antes da primeira prisão dele. A reunião ocorreu no gabinete do então chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do BC, Belline Santana, alvo da PF pela suposta consultoria informal prestada ao banqueiro.
Vorcaro e o dono do Banco Pleno e ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, foram juntos ao BC em pelo menos oito ocasiões de outubro de 2024 a agosto de 2025. Três delas tiveram a participação do presidente do órgão, Gabriel Galípolo. Na agenda dele, o tema foi um só: tratar de “assuntos institucionais” – expressão guarda-chuva que pouco descreve as reuniões.
A coluna obteve os registros de entradas no BC via Lei de Acesso à Informação (LAI). A reportagem contabilizou cada um deles separadamente, ainda que dois ou mais sócios, executivos e ex-administradores estivessem na mesma reunião.
O BC não forneceu, no entanto, os detalhes sobre os gabinetes visitados. Há apenas anotações de entrada nos prédios da autoridade monetária em Brasília, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O levantamento não inclui, portanto, agendas nas quais os envolvidos participaram remotamente.