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PF investiga entrada de malas sem fiscalização em voo com Motta, Ciro Nogueira e dono de bets

Kevin Lima

Itens do piloto entraram sem inspeção. Voo levava empresário do “tigrinho”, Hugo Motta, Ciro Nogueira e deputados; caso tramita no STF

A Polícia Federal investiga se um auditor da Receita Federal cometeu os crimes de prevaricação e descaminho, ao permitir que bagagens de um voo que transportava o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) entrassem no Brasil sem fiscalização.

Segundo a PF, cinco volumes levados pelo piloto José Jorge de Oliveira Júnior ingressaram no país sem passar por raio-x na noite de 20 de abril de 2025. O caso ocorreu no retorno de uma viagem à ilha de São Martinho, descrita pela corporação como uma “ilha caribenha conhecida por ser um paraíso fiscal desde 2016”.

O voo foi feito em um avião particular de Fernando Oliveira Lima, o “Fernandin OIG“, apontado como operador de plataformas de apostas ligadas ao chamado jogo do tigrinho. Em novembro de 2024, ele foi ouvido pela CPI das Bets e negou ser dono do jogo.

Em nota enviada ao Metrópoles, Hugo Motta afirmou que cumpriu “todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira” ao desembarcar do voo. O presidente da Câmara disse ainda que “aguardará a manifestação da Procuradoria-Geral da República”.

A reportagem também procurou o senador Ciro Nogueira, mas não obteve resposta até o momento.

Além de Motta e Nogueira, estavam a bordo, de acordo com a PF, os deputados Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). A lista de passageiros incluía ainda o ex-vereador de Teresina Victor Linhares, alvo da Operação Carbono Oculto, que investiga ligações entre o crime organizado e o setor de combustíveis.

A presença de autoridades com foro privilegiado levou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 13 de abril deste ano. Caberá ao ministro Alexandre de Moraes decidir se a Corte é competente para analisar o caso. Na semana passada, Moraes pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A Polícia Federal destaca que não é possível dizer “categoricamente a quem os volumes pertencem ou seu conteúdo”. Ao defender que o caso fosse enviado ao STF, o delegado Flávio Vieitez Reis apontou que o avanço da investigação pode indicar o envolvimento de autoridades em “condutas ilícitas”.

“Salvo melhor juízo, entendo ser temerária a continuidade das investigações sem a apreciação de tal situação pelo Poder Judiciário”, escreveu em janeiro de 2026.

Imagens do circuito de segurança do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, em São Roque (SP), analisadas pela PF mostram a sequência do desembarque:

  • às 21h32, o piloto passou pelo raio-x com duas bagagens; e
  • minutos depois, por volta das 21h40, ele retornou com sete volumes e contornou o pórtico de detecção de metais, sem submeter os itens à inspeção.

“[Ele] retorna passando por fora do pórtico de detecção de metais, sendo que, por volta das 21h40, ele passa com 7 (sete) volumes, sem submetê-los à fiscalização pelo raio-X, sendo que 2 (dois) dos volumes aparentam os que ele carregava ao retornar pelo raio-X pela primeira vez”, diz o relatório.

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