
Declarações de Donald Trump e Delcy Rodríguez revelam disputa política pela liderança do país após a deposição de Nicolás Maduro
Captura e acusações contra Nicolás Maduro
- Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados no último sábado (3/1) por forças dos EUA e levados a Nova York para julgamento.
- A denúncia afirma que Maduro comandou por mais de 20 anos uma rede criminosa no Estado venezuelano para enviar cocaína aos EUA.
- Também foram acusados Diosdado Cabello, ministro do Interior da Venezuela; Cilia Flores, esposa do presidente; o deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do ditador venezuelano; e outros aliados do regime, apontados como integrantes ou facilitadores da suposta organização criminosa
- As acusações incluem narcoterrorismo, tráfico e lavagem de dinheiro, com penas de 20 anos a prisão perpétua. Maduro se declara inocente.
Em mensagem transmitida pela televisão estatal venezuelana, na terça-feira (6/1), Delcy Rodríguez afirmou que o país não é governado por nenhum “agente externo”. Segundo ela, apenas as autoridades venezuelanas exercem poder sobre o território nacional.
“O governo da Venezuela exerce o poder em nosso país, e mais ninguém. Não há agente externo que governe a Venezuela”, disse.
A fala foi uma resposta direta a Donald Trump. Na segunda-feira (5/1), em entrevista à NBC News, o presidente dos EUA afirmou que ele próprio está no controle do país vizinho. Questionado sobre quem governa a Venezuela, respondeu: “Eu”.
Trump também mencionou, pela primeira vez, um grupo do alto escalão norte-americano envolvido nas decisões sobre a Venezuela. Segundo ele, participam o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e o vice-presidente do país, JD Vance. Cada um deles teria, segundo Trump, “especialidades diferentes” no processo.
“Nós vamos administrar o país até o momento em que pudermos, temos certeza de que haverá uma transição adequada, justa e legal”, declarou.






Na Venezuela, Delcy assumiu oficialmente o lugar de Maduro
Pela Constituição venezuelana, em caso de ausência do presidente, o poder passa à vice-presidente – cargo que era ocupado por Delcy Rodríguez.
Na noite do último sábado (3/1), dia em que Nicolás Maduro foi capturado por forças norte-americanas, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou que ela assumisse interinamente a Presidência. A decisão diz que Delcy ocupa o cargo para “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.
No domingo (4/1), as Forças Armadas já reconheciam oficialmente Delcy como presidente interina. O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, declarou apoio público à permanência dela no posto por 90 dias. Rodríguez foi empossada oficialmente na segunda (5/1).
Com isso, no plano interno, Delcy conta com respaldo institucional do Judiciário e dos militares.
Contradição de Washington
As posições dos Estados Unidos sobre a situação na Venezuela não são totalmente alinhadas. Em entrevistas, Donald Trump afirma que está no comando do país e que Washington vai administrar a Venezuela de forma interina.